Sobre a experiência musical de viver em Londres

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Na cidade que transpira arte

Por Trosso

Um ano atrás decidi me aventurar um pouco e sair de Curitiba para aprender e absorver um pouco do que Londres tem a oferecer. Não foi fácil largar minhas bandas e os estúdios nos quais trabalhava, mesmo o plano inicial sendo estudar produção por apenas 3 meses e retornar ao Brasil, e mesmo assim estou nessa jornada há um ano. 

Após pouquíssimo tempo vivendo aqui, já é muito fácil perceber os motivos dessa cidade ser e sempre ter sido um núcleo musical. Tudo gira em torno de música, e outros tipos de arte é claro; tanto a demanda quanto a oferta são infinitas, e o mais importante para mim é o fato de que isso acontece para todos os gêneros, do mais alternativo ao mais pop.

Isso concede aos artistas um tipo de liberdade que ainda não atingimos no Brasil: seja qual for a forma que ele escolhe para se expressar, existirá público para apreciar e manter o ciclo de produção e criatividade.

Essa grande produção traz os artistas até nós, produtores e engenheiros de som para que o produto tenha a devida qualidade. 

Quanto à esse mercado percebi até agora que existem basicamente 3 níveis de estúdio:

  • Altíssimo – Como por exemplo o Abbey Road, difícil de abordar para trabalhar sem os devidos contatos ou condição financeira. O processo para ingressar nesses estúdios é estritamente online, e a concorrência e qualidade dos profissionais é impressionante.

Mas pelo lado dos artistas, os serviços on-line são bem acessíveis, uma master custa em torno de 60£, muitas bandas escolhem gravar em lugares mais baratos e fazem a pós produção em lugares assim. Ainda não tenho esse conhecimento, mas acredito que o processo inteiro só é feito por grandes gravadoras como a Universal Music, à qual o Abbey Road pertence.

  • Médio/Alto – Estúdios que trabalham pra gravadoras menores ou labels independentes, normalmente têm uma equipe fechada e trabalham gravando as bandas que assinam e/ou lançam singles com eles. Esse é um dos fatores mais importantes para a ascensão dos artistas, basicamente o mercado aqui gira em torno do lançamento de singles e EPs por labels, é uma prática muito comum ter uma forma sólida de distribuição e divulgação antes de soltar qualquer material.

Trabalhei com artistas que há mais de 6 meses tem suas músicas prontas mas não as divulgam pois tentam contactar ou estão esperando a disponibilidade de labels que façam o lançamento para eles. A partir daí, começam a pensar nos planos para tocar ao vivo e tentar chamar atenção de um contrato maior, ter presença em grandes festivais,  fazer tours pela Europa como banda suporte para bandas maiores, etc.

  • Médio/Baixo – Estúdios de pequeno porte como o meu (por enquanto), que necessitam sair à procura e um meio de divulgar o trabalho para atrair artistas interessados. Às vezes como freelancer em outros estúdios que tenham mais equipamento, fazendo o possível e o impossível por conta, e também trabalhando em outras áreas para fazer os contatos e apostando em projetos que possam trazer outros trabalhos em estúdios de nível mais alto. Eu tenho feito muitos trabalhos como técnico de som ao vivo, o que me dá a oportunidade de conhecer muito som novo e entrar no circuito da música. 

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Por aqui o mundo da música ao vivo independente funciona de outra forma. Existem muitas, mas muitas casas de show, o que dificulta a concentração do público e as bandas tem que contar com o seu próprio circulo de amizades muitas vezes. Porém, são pessoas de literalmente todas as idades e gêneros fazendo sempre sua própria música.

É muito comum ver noites com 4 ou 5 bandas locais, sets de 30 minutos, e com uma qualidade enorme de arranjos e composições. As pessoas são mais expostas à esse incentivo criativo, tem facilidade de acesso à música ao vivo, equipamentos, informação, aprendizado com músicos incríveis.

O que não falta aqui são bandas querendo gravar, mas não é fácil conhecer, convencer e viver disso.

Em teoria não é muito diferente do que já vivi nos anos de músico e produtor por Curitiba, mas uma grande verdade é que temos que evoluir e amadurecer muito nossos ouvidos e mentes para a música no Brasil. Temos que ter mais consciência de que sem o suporte do público, a arte não tem como sobreviver

Como investidores e consumidores, devemos ser mais ousados e acreditar no potencial de novos artistas, apostar nas incertezas, evoluir culturalmente e fazer o cenário acontecer e se auto sustentar.

Como artistas, devemos nos liberar um pouco da repressão, fazer mais o que temos vontade do que o que acreditamos que é mais aceitável, tanto musicalmente como na personalidade.

Talvez seja essa a grande diferença, a música aqui em Londres é tratada mais como arte do que entretenimento, assim é gerado muito conteúdo de qualidade e que se renova constantemente. E isso desperta interesse tanto para investir quanto para consumir. Ciclo sem fim.

2 Comentários

  1. Pietra disse:

    Top Trossinho!! Você tem muito talento e ainda vai brilhar muito..sabe que fazem falta em Curitiba..mas ver essa evolução pessoal e principalmente musical, é muito incentivador!!

    Boa sorte sempre!

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